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Região de Sorocaba terá encontro para debater a questão da água e as mudanças climáticas

9 de março de 2020 8:02

Por: Mariana Campos - macampos@sorocaba.sp.gov.br



A Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) disponibiliza, por meio do site http://meioambiente.sorocaba.sp.gov.br/, o formulário de inscrição aos interessados em participar do 2º Fórum Regional de Mudanças Climáticas – “Recursos Hídricos – Riscos e Vulnerabilidades na Região Metropolitana de Sorocaba”. O encontro está agendado para o dia 18 de março, das 8h às 16h, no Núcleo de Educação, Tecnologia e Cultura (ETC) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) campus Sorocaba, em Santa Rosália. As vagas são limitadas.

Realizado pela Sema, em parceria com a Secretaria de Relações Institucionais e Metropolitanas (Serim) e a UFSCar, o encontro visa dar continuidade ao primeiro fórum, realizado em novembro do ano passado, e diagnosticar os riscos e vulnerabilidades das cidades da RMS no que se refere aos impactos sobre a água, além de identificar os gargalos e estreitar parcerias entre os municípios para a resolução de conflitos.

“Também queremos a partir deste segundo fórum definir uma agenda de ação conjunta dentro da RMS”, explica o secretário do Meio Ambiente, Maurício Tavares da Mota. Em janeiro deste ano, o titular da pasta foi a Tatuí para conversar com a prefeita da cidade, Maria José Vieira de Camargo, que é a atual presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, para levar a proposta da institucionalização de uma Câmara Temática que tratará da Mudança Climática na RMS. A ideia foi aceita pela prefeita da cidade vizinha, que se comprometeu a levar para apreciação do conselho já na primeira reunião de 2020 do grupo.

Pela manhã, a programação contará com as palestras “Riscos e vulnerabilidades da RMS a partir do olhar da Defesa Civil”, com o Ten. Cel. PM Hengel Ricardo Pereira, diretor da Defesa Civil Estadual; e “Doenças de plantas no contexto das Mudanças Climáticas”, com o Prof. Dr. Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. Após as palestras, o público poderá debater os temas.

Já à tarde, a programação do fórum contará com três palestras e, na sequência, também será aberto espaço para um debate. A primeira será “Parâmetros epidemiológicos na RMS e sua relação com as Mudanças Climáticas”, com a diretora técnica de Saúde I da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), Sueli Yasumaro Dias.

Em seguida, o Prof. Dr. André Cordeiro Alves dos Santos, da UFSCar e coordenador da Câmara Técnica de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos do Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê, vai tratar da “Disponibilidade hídrica e conflitos pelo uso da água na gestão regional dos recursos hídricos”.

Os participantes também terão a oportunidade de conferir a palestra da gerente de Biodiversidade e Mudança do Clima, ICLEI América do Sul, Sophia Picarelli, que va falar sobre “Análise de riscos e vulnerabilidades climáticas no planejamento municipal”.

O público-alvo do evento são secretários municipais das pastas relacionadas ao assunto (meio ambiente, planejamento, mobilidade, saneamento, desenvolvimento econômico e agricultura), universidades, indústrias, comércio, agropecuária, construtoras e sociedade civil organizada.

De acordo com a Sema, as inscrições on-line deverão ser feitas até o dia 15 de março. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail sema@sorocaba.sp.gov.br. O Núcleo ETC da UFSCar está localizado na rua Maria Cinto de Biaggi, 130, em Santa Rosália, próximo ao hipermercado Extra.

Impactos

De acordo com o Painel Brasileiro de Mudanças do Clima (2013), estima-se que as regiões sul e sudeste tenham um aumento nas chuvas de 5% a 10% até 2040 e 30% até 2100, além do aumento de 1°C (2040) e 3°C (2100) nas temperaturas médias regionais, a ocorrência de tempestades mais intensas com risco de inundações, enxurradas e deslizamentos de terra e ondas de calor mais frequentes.

Sorocaba enfrentou em novembro do ano passado um rodízio de abastecimento de água durante quase um mês, uma medida de enfrentamento à situação do abastecimento e em consequência da falta de chuva de mais de três meses na cidade, somado ao consumo de água excessivo em razão do forte calor e à situação dos mananciais que abastecem a cidade de água bruta (Ipaneminha, Ferraz e Castelinho). Essa medida foi sentida por toda população, que teve que se adaptar a essa interrupção temporária.

Outra situação são as grandes tempestades, com chuvas fortes em um curto espaço de tempo, que causam inundações. Várias cidades do país já foram afetadas pelas chuvas deste ano, como Belo Horizonte e outros municípios mineiros, que sofreram com as enchentes, que causaram mortes e milhares de famílias desabrigadas, mostrando o quanto as principais cidades do Brasil estão pouco preparadas para lidar com eventos climáticos extremos relacionados à água.

O Brasil precisa urgente de uma infraestrutura eficiente e sustentável para que as cidades estejam mais bem adaptadas a chuvas e também tenham sistemas de abastecimento mais eficientes. Por isso, há uma necessidade urgente dos governos locais implantarem uma série de medidas de mitigação (redução de emissões de gases de efeito estufa) e adaptação à nova realidade. Isso inclui, entre outras ações, o saneamento básico, o uso racional de água e energia, o consumo consciente, a produção sustentável, a manutenção de áreas verdes e florestas, principalmente nas margens dos corpos de água, assim como evitar a ocupação de áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos.

A RMS é composta por 27 municípios, com uma população de quase dois milhões de habitantes. É a maior produtora de alimentos e a segunda em indústrias entre as regiões metropolitanas, gerando cerca de 4,25% do PIB do Estado. Seu crescimento econômico e demográfico vem se destacando o que, consequentemente, tem gerado grande pressão sobre seus recursos naturais e a qualidade de vida. A região possui importantes remanescentes de Mata Atlântica e de Cerrado, tornando a detentora de uma biodiversidade única, bem como, importantes recursos hídricos, como as bacias do Sorocaba e Médio Tietê, do Alto Paranapanema e do Ribeira.

Programação

Período da manhã (08h00 às 11h30)

Recepção e Credenciamento

Abertura oficial

Palestra 1 – “Riscos e vulnerabilidades da RMS a partir do olhar da Defesa Civil”, com o Ten. Cel. PM Hengel Ricardo Pereira – Diretor da Defesa Civil Estadual

Palestra 2 – “Doenças de plantas no contexto das Mudanças Climáticas”, com o Prof. Dr. Wagner Bettiol – Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Debate

Período da tarde (13h30 às 16h00)

Palestra 3 – “Parâmetros epidemiológicos na RMS e sua relação com as Mudanças Climáticas”, com Sueli Yasumaro Dias – Diretora Técnica de Saúde I, Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Serviço Regional de Sorocaba.

Palestra 4 – “Disponibilidade hídrica e conflitos pelo uso da água na gestão regional dos recursos hídricos”, com o Prof. Dr. André Cordeiro Alves dos Santos – Coordenador da Câmara Técnica de Planejamento e Gerenciamento de Recursos Hídricos (CT-PLAGRHI) do Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê.

Palestra 5 – “Análise de riscos e vulnerabilidades climáticas no planejamento municipal”, com Sophia Picarelli – Gerente de Biodiversidade e Mudança do Clima, ICLEI América do Sul.

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