Fórum vai tratar dos impactos da mudança climática na questão da água na RMS

27 de fevereiro de 2020 14:39

Por: Mariana Campos - macampos@sorocaba.sp.gov.br


Inscrição gratuita ocorrerá de 6 a 15 de março. As vagas são limitadas

O clima está mudando e os cientistas estão avaliando o impacto no planeta, mas já se sabe que haverá uma interferência direta na disponibilidade de água para uso do ser humano. Para tratar especificamente dos riscos e vulnerabilidades da mudança climática na questão dos recursos hídricos na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), a Prefeitura de Sorocaba e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) campus Sorocaba realizarão o 2º Fórum Regional de Mudanças Climáticas no dia 18 de março, a partir das 8h, no Núcleo de Educação, Tecnologia e Cultura (ETC) da UFSCar, localizado no bairro de Santa Rosália.

Organizado pela Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) e pela Secretaria de Relações Institucionais e Metropolitanas (Serim), o encontro visa dar continuidade ao primeiro fórum, realizado em novembro do ano passado, e diagnosticar os riscos e vulnerabilidades das cidades da RMS no que se refere aos impactos sobre a água, além de identificar os gargalos e estreitar parcerias entre os municípios para a resolução de conflitos.

“Também queremos a partir deste segundo fórum definir uma agenda de ação conjunta dentro da RMS”, explica o secretário do Meio Ambiente, Maurício Tavares da Mota. Em janeiro deste ano, o titular da pasta foi a Tatuí para conversar com a prefeita da cidade, Maria José Vieira de Camargo, que é a atual presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, para levar a proposta da institucionalização de uma Câmara Temática que tratará da Mudança Climática na RMS. A ideia foi aceita pela prefeita da cidade vizinha, que se comprometeu a levar para apreciação do conselho já na primeira reunião de 2020 do grupo.

A programação está sendo finalizada e deve contar com a participação de representantes da Defesa Civil Estadual, Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê (CBH-SMT), entre outros órgãos.

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, o público-alvo do evento são secretários municipais das pastas relacionadas ao assunto (meio ambiente, defesa civil, planejamento, mobilidade, saneamento, desenvolvimento econômico e agricultura), universidades, indústrias, comércio, agropecuária, construtoras e sociedade civil organizada.

A inscrição deverá ser feita a partir da próxima semana, de 6 a 15 de março, no site: http://meioambiente.sorocaba.sp.gov.br/. As vagas são limitadas. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail sema@sorocaba.sp.gov.br. O Núcleo ETC da UFSCar está localizado na rua Maria Cinto de Biaggi, 130, em Santa Rosália, próximo ao hipermercado Extra.

Impactos

De acordo com o Painel Brasileiro de Mudanças do Clima (2013), estima-se que as regiões sul e sudeste tenham um aumento nas chuvas de 5% a 10% até 2040 e 30% até 2100, além do aumento de 1°C (2040) e 3°C (2100) nas temperaturas médias regionais, a ocorrência de tempestades mais intensas com risco de inundações, enxurradas e deslizamentos de terra e ondas de calor mais frequentes.

Sorocaba enfrentou em novembro do ano passado um rodízio de abastecimento de água durante quase um mês, uma medida de enfrentamento à situação do abastecimento e em consequência da falta de chuva de mais de três meses na cidade, somado ao consumo de água excessivo em razão do forte calor e à situação dos mananciais que abastecem a cidade de água bruta (Ipaneminha, Ferraz e Castelinho). Essa medida foi sentida por toda população, que teve que se adaptar a essa interrupção temporária.

Outra situação são as grandes tempestades, com chuvas fortes em um curto espaço de tempo, que causam inundações. Várias cidades do país já foram afetadas pelas chuvas deste ano, como Belo Horizonte e outros municípios mineiros, que sofreram com as enchentes, que causaram mortes e milhares de famílias desabrigadas, mostrando o quanto as principais cidades do Brasil estão pouco preparadas para lidar com eventos climáticos extremos relacionados à água.

O Brasil precisa urgente de uma infraestrutura eficiente e sustentável para que as cidades estejam mais bem adaptadas a chuvas e também tenham sistemas de abastecimento mais eficientes. Por isso, há uma necessidade urgente dos governos locais implantarem uma série de medidas de mitigação (redução de emissões de gases de efeito estufa) e adaptação à nova realidade. Isso inclui, entre outras ações, o saneamento básico, o uso racional de água e energia, o consumo consciente, a produção sustentável, a manutenção de áreas verdes e florestas, principalmente nas margens dos corpos de água, assim como evitar a ocupação de áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos.

A RMS é composta por 27 municípios, com uma população de quase dois milhões de habitantes. É a maior produtora de alimentos e a segunda em indústrias entre as regiões metropolitanas, gerando cerca de 4,25% do PIB do Estado. Seu crescimento econômico e demográfico vem se destacando o que, consequentemente, tem gerado grande pressão sobre seus recursos naturais e a qualidade de vida. A região possui importantes remanescentes de Mata Atlântica e de Cerrado, tornando a detentora de uma biodiversidade única, bem como, importantes recursos hídricos, como as bacias do Sorocaba e Médio Tietê, do Alto Paranapanema e do Ribeira.


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